ENTREVISTA


"Dois dedos de conversa"

Novo programa de rádio em português, no horário nobre de sábado na CHIN Radio

Por António Perinú

Sol Português

Chama-se "Dois dedos de conversa" e surge como o mais recente programa em português na estação de rádio CHIN. Trata-se de uma rubrica semanal que pretende oferecer algo diferente dos programas tradicionais.

No ar todos os sábados à noite, entre as 20h00 e as 21h00, tem como locutora Cristina da Costa, que se desdobra assim entre as suas actividades radiofónicas matinais naquela estação e o novo programa, que se apresenta mais sério, revelando uma outra faceta também como produtora.

Conversámos com ela e procurámos saber quais os moldes e os objectivos que tem para esta rubrica.

Sol Português: Cristina, como é que surgiu esta ideia e o que é este novo programa na CHIN?

Cristina da Costa: Gostaria de começar por agradecer esta oportunidade, porque vocês deram-me a mão logo de início — eu antes de trabalhar para a CHIN trabalhei no Sol Português, caso muitas pessoas não saibam, e continuo a colaborar na medida do possível. Comecei com o Sol Português e temos tido sempre uma boa relação.

Este programa é como que uma recompensa pelo trabalho árduo que eu tenho demonstrado à CHIN. Há um ano atrás falei com o Dario Amaral, que é o nosso director de programação, e perguntei-lhe se haveria possibilidade de me conceder uma hora só para mim. Achei que já estava a amadurecer o suficiente para poder fazer algo diferente e mostrar à comunidade também a outra Cristina — o lado que não é só de gargalhadas de manhã, que não é só o lado bem disposto e que sabe fazer algo mais. E o Dario disse-me, "espera um pouco, porque eventualmente haverá qualquer coisa".

Este é um projecto que já vem sendo alinhavado há uns tempos. Fui de férias em Fevereiro e já sabia que este bebé ia chegar. Não sabia bem ao certo, nem quando é que acabavam os "nove meses", que afinal já iam em mais de um ano...

S.P.: E o nome surgiu....?

C.C .: Estava deitada na praia, a apanhar aquele sol maravilhoso e lembrei-me: "se eu realmente conseguir um programa com a minha assinatura, vou chamar-lhe `Dois dedos de conversa'. O nome surgiu primeiro do que a hora.

S.P.: Como é que se chegou ao horário que agora ficou definido?

C.C.: O Dario falou com o Lenny Lombardi, falaram com o departamento italiano — às vezes os ouvintes perguntam-nos porque é que não temos mais horas de programação, mas como sabe, para termos mais horas em português temos que "empurrar" todos os outros. São trinta e dois idiomas (na estação), não é brincadeira e não é uma coisa que se faça de um dia para o outro. Temos que respeitar a hierarquia, quem já lá está há muito tempo. Também há eventualidades de quem produz e não produz, quem contribui monetariamente para a estação ou não — e neste caso, o programa que estava ali, nesta hora, tinha um bocadinho o horário morto para eles. Não souberam aproveitar, porque o horário é nobre em qualquer lugar do mundo — a rádio têm horário nobre de manhã, das 5 às 10 da manhã, e depois à tarde, a partir das 5 da tarde até às 9 da noite.

S.P.: Se este programa é para mostrar a outra faceta da Cristina, uma vez que o da manhã é cheio de alegria e boa disposição, então este é para mostrar a sua parte séria?

C,C.: Sim, quero mostrar à comunidade que posso fazer algo sozinha, que já gatinhei, já dei os primeiros passos. Aliás, o Sr. António foi a primeira pessoa que me deu a mão. Lembro-me inclusive quando me telefonou e me disse que o Dario (Amaral) queria encontrar-se comigo. Depois de tudo formalizado e quando o Sr. António ainda me andava a apresentar à comunidade, uma vez que eu ia trabalhar convosco mais a sério, encontrámos o José Carlos e o Sr. António disse-lhe "Ainda bem que te encontro; vê se podes ajudar esta miúda, que ela merece" e ele respondeu, "mais uma, já ensinei tantas". Eu olhei para si, um bocadinho acanhada, e pensei, "Meu Deus, onde é que eu me vou meter". Mas correu tudo bem. O José Carlos tem sido um colega de mão-cheia. Ele ajudou-me bastante e eu não me canso de o elogiar porque o pouco que sei aprendi com ele. Não é que a vida não nos ensine, mas ele também me ensinou bastante daquilo que sabia. Repartiu comigo e continua a repartir.

S.P.: E com respeito ao horário matinal?...

C.C.: Não vou negar que não seja uma experiência extremamente espectacular. É. Eu gosto muito de fazer o programa da manhã, acho que tenho toda a energia direccionada para aquele programa. Não é nada fingido, tudo o que vem de dentro de mim é sincero, gosto daquele horário, gosto do meu público, mas também gostava de fazer alguma coisa sozinha.

S.P.: Então o que é o "Dois dedos de conversa"?

C.C.: Vamos dar a conhecer à comunidade em cada programa de sábado à noite, uma pessoa diferente. Pessoas que vivem, que já lidaram ou que estão activamente envolvidas com a nossa comunidade no Canadá. Pessoas que contribuíram em algo para engrandecer a comunidade. Cada noite tenho um convidado e vou tentar repartir com os ouvintes, na medida que o convidado deixar, as experiências que já viveu e reparti-las com o grande público.

Na nossa comunidade temos pessoas que se orgulham (de serem portuguesas), outras nem tanto. Até passam despercebidas, nem querem falar Português porque dizem que a comunidade não tem muito para lhes dar, que não vivem propriamente da nossa comunidade e que vivem de outras comunidades. Até aí tudo bem, eu aceito e respeito, só que há que nunca esquecer de onde se vem. Quero tentar dar a conhecer à nossa comunidade que há grande valores que passam despercebidos e ficam anónimos.

S.P.: Em análise, qual tem sido a resposta do público e eventuais entrevistados?

C.C.: O programa foi para o ar oficialmente no dia 3 de Maio. Recebi bastantes chamadas do público e fiquei extremamente impressionada porque nunca pensei que estivesse já tanta gente a ouvir.

No sábado (10 de Maio) foi o primeiro programa oficial. É uma hora que passa a correr. Durante o programa, o convidado é que faz a selecção musical, isto é, vai escolher as músicas que vão ser passadas durante a entrevista.

Já tenho entrevistas marcadas até meio de Fevereiro do ano que vem, ainda agora o programa começou. Tenho tido boa aderência, a publicidade foi vendida assim de repente e a nossa comunidade abraçou este projecto e eu estou feliz por isso.

Acho que uma comunidade unida vai mais longe. Uma comunidade que apoia os (seus) projectos vai mais longe, Uma comunidade que patrocina eventualmente um Sol Português, uma CHIN Radio e a sua comunicação social é uma comunidade forte, com melhores alicerces.

S.P.: E para os leitores e ouvintes, que mensagem?

C.C.: Quero agradecer aos leitores do Sol Português (também sou leitora assídua todas as sextas-feiras e à segunda feira do Voice) e quanto à CHIN também não tenho palavras para agradecer a mão que me foi dada desde o início e continua a ser. Também tive que trabalhar muito para chegar onde estou — e sem trabalho não vamos a lado nenhum – (mas) quero agradecer ao Dario Amaral, ao José Carlos e a si, Sr. António Perinú, por todo o apoio que me deram ao longo dos anos e espero poder continuar a contar com o vosso apoio e dos leitores e ouvintes.


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