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Foi a 12 de Setembro que nasceu Raimundo Favas, e as pessoas que o conhecem certamente que dão razão aos entendidos na influencia dos astros, pois vêem nele, um homem sempre em acção e motivado pelo desejo de ser útil aos outros, sendo também capaz de lutar arduamente por uma causa que acredite ser justa. Filho de um barbeiro, a sua infância foi como a de qualquer menino, a crescer numa vila Portuguesa nos anos cinquenta, o tempo era repartido entre a escola, e as brincadeiras que obrigatoriamente envolviam jogos de bola. Terminada a instrução primaria, foi para o colégio, mas ao reprovar no terceiro ano, o pai não lhe deu uma segunda oportunidade arranjando-lhe colocação nos escritórios de um armazém de vinhos, e aos fins-de-semana ajudava em trabalhos agrícolas nos terrenos da família. O jovem Raimundo aspirante a jogador de futebol, não vivia tempos felizes, pois o trabalho nos campos roubava-lhe a possibilidade de jogar e defender a camisola do seu clube o Águias de Alpiarça, mantendo talvez a secreta esperança de a colectividade atingir no futebol a projecção que tinha a nível do ciclismo com nomes sonantes na época como António Pisco, Lima Fernandes, José Manuel Marques João de Brito, Agostinho Correia, Joaquim Casimiro, Maurício Vieira, e Manuel Carvalho entre outros que brilharam nas estradas Aos 18 anos de idade regressa aos estudos frequentando aulas nocturnas continuando, contudo a trabalhar no armazém de vinhos .
Dando realidade ao sonho
Quando criança tinha visto um documentário na televisão sobre as grandes planícies no distante Canadá e na altura alimentou o sonho de visitar a vastidão daquelas terras. Decorridos agora alguns anos, tendo atingido uma posição de relevo na empresa de vinhos ocupando a Vice-presidência de uma cooperativa, e acumulando também as funções de representante de vendas viajava frequentemente para Lisboa, onde cimentou laços de amizade com os funcionários da transportadora aérea Canadian Pacific que na altura escalava com frequência o aeroporto de Lisboa. E foram esses amigos da CP. Air que lhe voltaram a espevitar o interesse pelo Canada. Chegou como turista a Montreal no dia 23 de Outubro de 1980. O chão da velha cidade coberto de neve, não era bem a terra prometida, as malas foram por engano para Toronto, as pessoas que deveria de encontrar em Montreal não estavam em casa, e foi no primeiro hotel que encontrou que passou a primeira noite no Canadá Os tempos de recruta
O que vou fazer por aqui? Essa é a interrogação que todos os novos imigrantes colocam a si próprios, e o Raimundo não fugiu à regra, mas não gastou muito tempo procurando uma resposta, arregaçou as mangas e iniciou a experiência Canadiana a trabalhar em restaurantes, começando pelo popular Solmar na parte velha da cidade de Montreal, e continuando ainda na mesma industria quando se mudou para Toronto algum tempo mais tarde . Ultrapassou as barreiras burocráticas, tendo para isso de regressar a Portugal e voltar de novo já com o estatuto de imigrante em Setembro de 1983.
Em Portugal, nos tempos da juventude trabalhava de dia e estudava à noite, no Canadá, as coisas mudaram, e passou a trabalhar á noite para estudar de dia frequentando o colégio George Brown, mas a compra de uma casa e as novas responsabilidades financeiras forçaram-no a abandonar os estudos para se dedicar inteiramente ao trabalho.
Mudar é difícil
Quando se têm responsabilidades e encargos, a mudança nunca é fácil, e foi de uma forma muito hesitante que transitou para uma actividade totalmente diferente, a industria Seguradora. Chegou a ter uma entrevista de admissão marcada e não comparecer, por achar que os seguros talvez não lhe oferecessem a qualidade de vida que ambicionava. Estava totalmente errado. Dez anos depois abria a sua agencia de seguros, providenciando ao publico em geral uma vasta gama de produtos da industria.
Mais juntos mais fortes
Idealista por natureza não se poupa a esforços para que a comunidade suba mais alto para um lugar a que tem direito na sociedade Canadiana, defendendo um maior envolvimento politico a todos os níveis num esforço conjunto para que mais Luso Canadianos sejam eleitos para cargos políticos, uma lacuna que gostaria de ver preenchida nos próximos anos.
Já em Portugal Raimundo Favas estava ligado ao associativismo tendo ocupado o cargo de secretario do clube do seu coração o Águias de Alpiarça, e por aqui também tem sido notável a sua participação em varias associacoes e colectividades nomeadamentre a FPCBP, e o Clube Português de Mississauga ,sendo ele o presidente da assembleia geral quando o clube iniciou a campanha de angariação de fundos para a nova sede.
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